Quero a alegria dos primeiros andares,
mas elevadores também me confortam
Quero o consolo das moças viúvas,
Apesar dos vivos não me darem trabalho
Quero a eficiência dos homeopáticos,
Por que odeio dormanid
Quero a prudência dos cardíacos,
Embora os diabéticos também me pareçam preocupados
Quero a paciência dos obesos,
Mas estou bem com o minha
Quero a fidelidade dos asmáticos,
Por que não me contento com a pura verdade,
afinal, hoje eu vi uma senhora morta,
só que estava viva
Quero a obediência do remorso maternal,
Mas todos meus amigos moram no ultimo andar
Jeronimo Lemos
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Só temos banana
É preciso acabar com as meias-verdades.
Você não tem muito tempo pela frente.
As coisas às vezes não mudam.
O Brasil tem terremoto.
Não fomos penta.
O sorriso caloroso e a simpatia do brasileiro não são de felicidade, são de álcool.
E seria melhor se nossa capital fosse Buenos Aires.
jeronimo lemos
Você não tem muito tempo pela frente.
As coisas às vezes não mudam.
O Brasil tem terremoto.
Não fomos penta.
O sorriso caloroso e a simpatia do brasileiro não são de felicidade, são de álcool.
E seria melhor se nossa capital fosse Buenos Aires.
jeronimo lemos
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Eu, o copo
Prendia-me doentiamente aquele copo, pousado sobre aquela mesa.
E sabia que nela só restaria, daquele copo, depois que a mão negra e
molhada de água e espuma o levasse, a marca d’água na toalha chinfrim.
Aprendi mais com aquele insigne episodio do que com a minha bêbada vida.
Comparei-me ao copo e vi meu destino. Só a marca d’água, só resquícios que secam com o tempo, depois disso, só as memórias amareladas de poucos ou o epitáfio.
Sou como ele. Enquanto cheio sugado pela boca, que a posso chamar de vida.
Depois de vazio... Não interessa mais.
Jeronimo Lemos
sábado, 3 de janeiro de 2009
Conto do terceiro domingo
Tudo bem... eu sei que hoje não é domingo, mas não sejam absolutos!
A velha e o velho
Observava fixa e atentamente aquele episódio nada extraordinário,
Um velho rabugento saia de uma mercearia próxima à minha casa. Levava na mão uma dessas sacolas de supermercado e nas costas uns oitenta anos. Já na beira da rua, ou fim da calçada, olhou para os dois lados, para trás e, logo que viu a senhora, atravessou. Preocupação primeira e única.
Reflexão pessoal:
Nunca havia verificado efeitos tão profundos da velhice. Mesmo em minhas avós, tios-avós, bisavós... Sim! Conheci minhas bisavós, mas voltemos à senhora do senhor da mercearia. Foi medonha a pena que senti ao ver aquela, também rabugenta, senhora. Não sabia, e até hoje não sei, se devia sentir-me triste pelo deplorável estado dos dois, o velho também era velho, embora menos que ela, ou se devia admirar o exímio trabalho da velhice. Nunca vira trabalho tão bem acabado, literal e metaforicamente falando.
A senhora de setenta anos, acho eu, e seus magníficos olhos azuis, de um azul realmente vivo (acho que era o único resquício de vida daquele corpo), no meio-fio esperava para atravessar, enquanto o velho já se distanciava uns vinte metros, sem demonstrar a menor preocupação. E eu observava com os ombros encostados numa dessas árvores centenárias próximo ao ponto de ônibus. Dali julgava o velho irresponsável com quinhentos mil adjetivos, inclusive este que acabei de escrever, embora também não fizesse nada pela velha. Não sei se por preguiça ou por uma vontade maior, uma espécie de atração, que me motivava a apenas observar a cena nada incomum, sem interferir no seu desfeche.
Depois do obstáculo rua, vieram os degraus, buracos e rampas daquela calejada calçada. Nesta hora preocupei-me ainda mais, na mesma proporção que aumentava o ódio que sentia pelo velho. Foi tanto que uma hora parou. Parou exatamente quando acabou meu estoque de adjetivos, sempre que eles acabam o ódio vai embora. Nesta hora cada buraco era uma parca, cada rampa um pulsar mais forte, meu é claro, mas a velha seguia firme, embora lenta e perigosamente. A cada obstáculo vencido, um sentimento de alívio.
Agora já não odiava mais o velho, mas sentia pena. Sentia pena, por que imaginei o mal maior. Imaginei a morte da velha. Sentia pena do velho só por imaginar o tamanho do remorso que ele sentiria. Não há sentimento pior, e por isso agora odiava a velha. Sim, é isso mesmo. Eu a odiava.
O velho continuou seguindo o seu destino, sempre na frente da velha, até entrar em sua residência, uma casa de azulejos rosados a poucos metros da mercearia. A senhora, porém, ainda não havia chegado ao seu destino. Continuou caminhando sem interrupções, embora com a vagarosidade dos anos, mas com os pés sempre firmes. Mas eu não confiava muito naqueles pés, não sei o porquê, mas não confiava. E foi aí que percebi que a raiva que eu sentia não era do velho, muito menos da velha, mas era daqueles pés. Eu detestava os pés daquela velha. Eram eles os culpados pelo pender da velha, pelo possível remorso do velho e por toda minha preocupação. Eu, definitivamente, odiava os pés daquela velha.
A velha, apesar de todas as minhas preocupações e, talvez, com uma expectativa doentia de tragédia, seguiu firme, atravessando todos os obstáculos urbanos, até entrar novamente em sua residência, sem que nada acontecesse. Nada.
Fim
Observava fixa e atentamente aquele episódio nada extraordinário,
Um velho rabugento saia de uma mercearia próxima à minha casa. Levava na mão uma dessas sacolas de supermercado e nas costas uns oitenta anos. Já na beira da rua, ou fim da calçada, olhou para os dois lados, para trás e, logo que viu a senhora, atravessou. Preocupação primeira e única.
Reflexão pessoal:
Nunca havia verificado efeitos tão profundos da velhice. Mesmo em minhas avós, tios-avós, bisavós... Sim! Conheci minhas bisavós, mas voltemos à senhora do senhor da mercearia. Foi medonha a pena que senti ao ver aquela, também rabugenta, senhora. Não sabia, e até hoje não sei, se devia sentir-me triste pelo deplorável estado dos dois, o velho também era velho, embora menos que ela, ou se devia admirar o exímio trabalho da velhice. Nunca vira trabalho tão bem acabado, literal e metaforicamente falando.
A senhora de setenta anos, acho eu, e seus magníficos olhos azuis, de um azul realmente vivo (acho que era o único resquício de vida daquele corpo), no meio-fio esperava para atravessar, enquanto o velho já se distanciava uns vinte metros, sem demonstrar a menor preocupação. E eu observava com os ombros encostados numa dessas árvores centenárias próximo ao ponto de ônibus. Dali julgava o velho irresponsável com quinhentos mil adjetivos, inclusive este que acabei de escrever, embora também não fizesse nada pela velha. Não sei se por preguiça ou por uma vontade maior, uma espécie de atração, que me motivava a apenas observar a cena nada incomum, sem interferir no seu desfeche.
Depois do obstáculo rua, vieram os degraus, buracos e rampas daquela calejada calçada. Nesta hora preocupei-me ainda mais, na mesma proporção que aumentava o ódio que sentia pelo velho. Foi tanto que uma hora parou. Parou exatamente quando acabou meu estoque de adjetivos, sempre que eles acabam o ódio vai embora. Nesta hora cada buraco era uma parca, cada rampa um pulsar mais forte, meu é claro, mas a velha seguia firme, embora lenta e perigosamente. A cada obstáculo vencido, um sentimento de alívio.
Agora já não odiava mais o velho, mas sentia pena. Sentia pena, por que imaginei o mal maior. Imaginei a morte da velha. Sentia pena do velho só por imaginar o tamanho do remorso que ele sentiria. Não há sentimento pior, e por isso agora odiava a velha. Sim, é isso mesmo. Eu a odiava.
O velho continuou seguindo o seu destino, sempre na frente da velha, até entrar em sua residência, uma casa de azulejos rosados a poucos metros da mercearia. A senhora, porém, ainda não havia chegado ao seu destino. Continuou caminhando sem interrupções, embora com a vagarosidade dos anos, mas com os pés sempre firmes. Mas eu não confiava muito naqueles pés, não sei o porquê, mas não confiava. E foi aí que percebi que a raiva que eu sentia não era do velho, muito menos da velha, mas era daqueles pés. Eu detestava os pés daquela velha. Eram eles os culpados pelo pender da velha, pelo possível remorso do velho e por toda minha preocupação. Eu, definitivamente, odiava os pés daquela velha.
A velha, apesar de todas as minhas preocupações e, talvez, com uma expectativa doentia de tragédia, seguiu firme, atravessando todos os obstáculos urbanos, até entrar novamente em sua residência, sem que nada acontecesse. Nada.
Fim
Jeronimo lemos
domingo, 28 de dezembro de 2008
O Sargaço no mar
Silencioso, salgado e cínico
O sargaço no mar
Impiedoso, inconveniente e ingrato
O sargaço no mar
Levas meu medo, minha frustração e meu desencanto
Se possível, sargaço, pro outro lado, no mar.
Lembro do medo que ele me punha
Quando menor,
- Mamãe! Mamãe!
Uma tartaruga! Uma aranha!
Um bicho! Um monstro!-
Hoje maior,
Vi que tu, mamãe, tinhas razão
Era só o sargaço no mar.
O sargaço no mar
Impiedoso, inconveniente e ingrato
O sargaço no mar
Levas meu medo, minha frustração e meu desencanto
Se possível, sargaço, pro outro lado, no mar.
Lembro do medo que ele me punha
Quando menor,
- Mamãe! Mamãe!
Uma tartaruga! Uma aranha!
Um bicho! Um monstro!-
Hoje maior,
Vi que tu, mamãe, tinhas razão
Era só o sargaço no mar.
jeronimo lemos
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Arte ou frescura?
arte
do Lat. arte
s. f.,
conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa;
tratado, livro que contém esses preceitos;
artifício;
ardil;
faculdade;
talento;
habilidade;
ofício;
profissão;
indústria;
diabrura.
- abstracta: arte que procura representar a realidade abstracta e não as aparências da realidade tangível;
- maior: utilização do verso de nove sílabas com acento na 3ª, 6ª e 9ª sílabas;
- figurativa: arte que retrata, de qualquer forma, alterada ou distorcida, coisas perceptíveis no mundo visível;
nobre -: pugilismo;
sétima -: cinema;
-s liberais: as que dependem essencialmente da inteligência e do estudo;
-s mecânicas: as que dependem do trabalho manual ou mecânico;
Belas-Artes: as que exprimem o sentimento estético, tais como a arquitectura, a escultura, a pintura, a música e a poesia;
-s mágicas: magia;
malas -s: manhas delituosas, ardis pouco claros.
Não posso me debandar a outro vão, enquanto existir o vão de existir. Dedicar-me exclusivamente às ações automáticas –reflexo de minha, incansável, mente fatigada- que são se não como conseqüência, como penar de minha extrema insensibilidade.
Refletir sobre a reflexão numa espécie de metalingüística da introspecção, por mais que lhe pareça algo admirável não mais impressiona os olhos “cultos” do saber. Talvez pelo fato da criação de metódicas barreiras que limitam, tanto quanto o absoluto, onde todos os conceitos de arte convergem, única e exclusivamente, para a não-arte. Numa espécie de contradição adequada aos atuais.
De fato tenho que concordar que as portas desse mundo fosforescente se escancararam de maneira nunca vista e apesar de ainda haver coisas admiráveis, não sei ao certo o que é arte, sentido este que se perdeu em algum desses porões do séc.XX.
do Lat. arte
s. f.,
conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa;
tratado, livro que contém esses preceitos;
artifício;
ardil;
faculdade;
talento;
habilidade;
ofício;
profissão;
indústria;
diabrura.
- abstracta: arte que procura representar a realidade abstracta e não as aparências da realidade tangível;
- maior: utilização do verso de nove sílabas com acento na 3ª, 6ª e 9ª sílabas;
- figurativa: arte que retrata, de qualquer forma, alterada ou distorcida, coisas perceptíveis no mundo visível;
nobre -: pugilismo;
sétima -: cinema;
-s liberais: as que dependem essencialmente da inteligência e do estudo;
-s mecânicas: as que dependem do trabalho manual ou mecânico;
Belas-Artes: as que exprimem o sentimento estético, tais como a arquitectura, a escultura, a pintura, a música e a poesia;
-s mágicas: magia;
malas -s: manhas delituosas, ardis pouco claros.
Não posso me debandar a outro vão, enquanto existir o vão de existir. Dedicar-me exclusivamente às ações automáticas –reflexo de minha, incansável, mente fatigada- que são se não como conseqüência, como penar de minha extrema insensibilidade.
Refletir sobre a reflexão numa espécie de metalingüística da introspecção, por mais que lhe pareça algo admirável não mais impressiona os olhos “cultos” do saber. Talvez pelo fato da criação de metódicas barreiras que limitam, tanto quanto o absoluto, onde todos os conceitos de arte convergem, única e exclusivamente, para a não-arte. Numa espécie de contradição adequada aos atuais.
De fato tenho que concordar que as portas desse mundo fosforescente se escancararam de maneira nunca vista e apesar de ainda haver coisas admiráveis, não sei ao certo o que é arte, sentido este que se perdeu em algum desses porões do séc.XX.
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